domingo, 16 de novembro de 2014

Com meus botões

     Nos últimos meses, inevitavelmente, passei a assumir uma postura mais introspectiva, trazendo à minha realidade uma reflexão crítica sobre a vida.
     Não que essa postura seja totalmente clara para a maioria das pessoas que convivem comigo. São reflexões feitas e discutidas à moda antiga, com meus botões, com o silêncio gritante das noites vazias de insônia. São reflexões sobre como é breve a vida humana em sua essência terrena. Às vezes, vive-se muitos anos, mas na realidade, os anos de vida foram muito poucos. Outros vivem por tão pouco tempo, mas continuam vivos na memória de muita gente, nas atitudes e palavras que ecoam, batem e rebatem nos paredões invisíveis da vida. Como é difícil resumir a vida de alguém...
     Me dei conta, portanto, de quanto tempo perdi nesses trinta e poucos anos. Caminhos errados, atalhos na estrada que pareciam me levar mais rápido ao caminho pretendido, mas que acabaram atrasando minha jornada... Os pés cansados querem parar; o coração ansioso tente a insistir na viagem; a razão diz que é melhor voltar e traçar novos itinerários... É uma luta constante, entre a vontade de parar e a necessidade de seguir em frente.
     Nesse momento, enquanto escrevo, meu botões gritam coisas nos meus ouvidos. Eles não são tão educados como eu gostaria que fossem... falam todos ao mesmo tempo e nunca conseguem chegar a uma conclusão. A vontade de parar é muito grande, confesso. Há muita coisa envolvida nessa caminhada, há muitos desafios a encarar e muitos caminhos pedregosos pela frente. Meus pés já estão cansados. Meu coração não está tão ansioso assim, bate fraco e igualmente cansado. Minha razão parece ser a única voz coerente, mas está tão sufocada pelas intempéries da caminhada que quase não a escuto.
     Coisas que faziam sentido antes, agora não fazem mais. Com quem vou falar? Com quem vou discutir? Como faço para organizar essa tempestade cerebral? Preciso de um norte, de um ponto de equilíbrio, de algo em que posso me segurar até esse meu mundo parar de girar. Sinto falta dela, do seu silêncio que dizia tanto, que me acalentava. Sinto falta da minha vida quando ela estava comigo...
     Sei que nada parece coerente aqui. Nem estou me preocupando com todas as regras de redação, produção de texto, coerência... Só quero tentar aliviar a pressão dessa "caldeira" antes que exploda de uma vez. Se isso acontecer, os danos podem ser irreversíveis...
     E como nada mais faz sentido neste momento, deixe eu voltar às discussões com meus amigos botões.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Deus te livre de ser como eu!

     Qual é a sua essência?
     Olhe para si mesmo, naquele espelho moral que todos trazemos intimamente e veja que imagem está refletida ali.
     Não é o que você gostaria de ser, ou ainda o que pensa que é. Quem é você, realmente? De que é formado? Qual é o retrato do seu caráter?
     Estranho pensar nisso. Para nós, e isso é fato, a imagem que temos é de quem gostaríamos de ser. Errado pensar assim? Óbvio que não! O problema é pensar que somos uma coisa, quando tentamos, na verdade, mascarar quem realmente somos. E a razão é simples: somos maus e não gostamos de admitir isso.
     Minha natureza já foi corrompida pelo pecado, portanto, sou essencialmente má. Quando me vejo neste espelho especial, vejo meu egoísmo, minha maldade, a indiferença com a dor do próximo, meu desejo de pagar o mal com a mesma moeda, minha tendência a julgar e apontar o erro do outro... A lista é interminável. Infelizmente, não dá para negar que nascemos com essa natureza humana e pecaminosa. Por isso, Deus te livre de ser como eu!
     Seria um caso encerrado se não fosse por um PEQUENO detalhe... O clichê religioso é realmente mais que um jargão qualquer: Jesus é carpinteiro por excelência e pode consertar qualquer "pau que nasce torto". Ele nos dá um exemplo de como subjugar essa natureza  a fim de sermos mais parecidos com quem nós gostaríamos de ser: homens e mulheres bons. Simples assim! Queremos ser bons, queremos que as pessoas nos admirem, que gostem da nossa companhia... Isso porque também queremos encontrar e estar perto de pessoas assim, pessoas que  gostaríamos de ser.
     Olhando para nós, realmente é difícil ser alguém admirável. Deus conhece nosso interior como ninguém, até melhor que nós mesmos, porque Ele sonda as intenções do nosso coração. O Sermão da Montanha é um bom manual de vida para quem deseja ser como Jesus. Aliás, desde a Lei, temos um conjunto de regras a seguir. Jesus, porém, foi além das atitudes politicamente corretas. Ele resume toda a Lei em uma só palavra: amor. O amor a Deus, sobre todas as coisas, e o amor ao próximo, da mesma forma como nos amamos. Não dá para fazer uma coisa e virar as costas para a outra. Não podemos amar somente a Deus e esquecer do nosso próximo. O "homem natural" que habita em nós de repente faria isso. Mas como é possível amar a quem não vemos e desprezar àquele a quem vemos?
     Já passou da hora de trocarmos nossa lente e começarmos a olhar através da ótica divina. Deixar de achar que somos algo que não somos. Deixar de lado as máscaras que usamos para esconder nossa fraqueza e admitir que nada somos sem Ele. Deixar de nos conformar com quem nós somos e não tentar ser pessoas melhores a cada dia. A grande evolução humana não está na teoria da evolução das espécies, mas está na evolução do caráter. Ser melhores hoje do que fomos ontem. Evoluir, neste sentido, é produzir o fruto do Espírito.
     Ainda não sou quem gostaria de ser, admito. Mas estou tentando... não vou acertar em todas as tentativas, mas não vou parar de tentar me aproximar da imagem que espero ver e de me tornar a pessoa que Deus espera que eu seja.
     Admitir quem realmente somos já é o primeiro passo para a mudança. Permanecendo nessa caminhada, com a ajuda de Deus e com muita força de vontade, chegaremos mais perto da imagem que queremos ver refletida em nosso espelho. Teremos, enfim, o caráter de Cristo.
     Que o Senhor nos abençoe.

     "Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor". II Co 3.18


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Setembrando...

     Li uma frase interessante hoje de uma psicóloga chamada Ita Portugal. Dizia o seguinte:

"Eu já janeirei, feverei e até agostei com todos os ventos que eles me trouxeram.
Agora vou setembrar, de preferência primaverando, que é para desabrochar o que plantei no restante dos meses".

     No primeiro momento, achei engraçada a forma como ela brincou com as palavras. Depois, acreditem, comecei a conjugar esses "verbos", pensando em como estava sendo tão "tia Claudiane"! Por último, passei a refletir no significado de cada palavra, e em todo o significado aplicado à minha vida.
      Foi como fazer uma retrospetiva, voltar ao início do ano, mais especificamente ao 16° dia desse mês. Mesmo estando em pleno verão, um inesperado inverno invadiu minha vida. Era o início de tempos muito difíceis... Uma estação particular, que invernava dentro de mim, tornava minhas noites longas e os dias cada vez mais curtos. Que traziam um frio na alma que cobertor algum podia aquecer. Tempos de muito choro e desespero, de céu de bronze e de voz sufocada.
      E passou... esse inverno passou. Alguns dias, podia ver os raios de sol timidamente rompendo a espessa cortina acinzentada do céu, trazendo um raio de esperança com eles. Consegui sorrir algumas vezes, mesmo com o coração apertado. Mas, sobretudo, eu plantei. Mesmo sem ver o resultado da colheita, ou mesmo sem saber o que exatamente estava plantando, eu plantei. Na verdade, nem sabia que estava plantando alguma coisa. Mas a semeadura acontecia inconscientemente, independente da minha vontade. Sementes caprichosamente escolhidas e escadas por Deus. Uma oração, um louvor, um sorriso inesperado, um abraço... quantas outras eu poderia enumerar? Sinceramente, eu não sei. "A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória", já diziam os "Grandes Pensadores Facebookianos". A Bíblia já falava sobre isso em Gálatas 6:7.
      Agora, passado esse longo inverno, chegou Setembro, e com ele, a Primavera. Tempo de ver florescer e desabrochar o resultado da semeadura. Já posso ver muitas das minhas sementes desabrochando, mas as principais e mais importantes sementes foram plantadas dentro de mim. Houve um semear interior, sementes lançadas por Deus, sementes que eu não tenho ideia do que podem gerar. Sou surpreendida, às vezes, com essas mudanças. Às vezes sinto que algo está se movendo dentro de mim, uma inquietação estranha por algo que está para acontecer. Talvez sejam as sementes se preparando para eclodir, agitando-se num burburinho particular, cada uma querendo saber o que terão pela frente, ou em quê se transformarão após o desabrochar...
      Essa inquietação, que tenho agora ilustrar, me traz a expectativa de algo grande e totalmente maravilhoso. Afinal, o que se esperar de sementes plantadas pelo próprio Semeador Celestial? E, além dessa expectativa e dessa ansiedade, vem a esperança de que dias melhores sempre vêm. Mesmo se a tempestade vier, se o véu de fechar sobre nossas cabeças, mesmo se a morte tirar de nós quem mais amamos... Duas melhores sempre vêm. Nossas lágrimas derramadas, que muitas vezes resgaram essas sementes, se transformarão em alegria na hora da colheita.
     Deus tem uma Primavera especial preparada para cada um de nós. Precisamos esperar o tempo certo para ela, mas não devemos esquecer que, a tempo ou fora de tempo, estamos semeando. Nosso dever é escolher bem as sementes que lançaremos, porque as sementes do Bom Semeador já têm 100% de qualidade garantida.
     Vamos setembrar primaverando?