segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Começo do fim

     Enfim, estamos a poucas horas de um novo ano! Inevitavelmente, sentimos a euforia coletiva do réveillon, acompanhado de abraços, sorrisos, promessas e votos de prosperidade.
     Engraçado mesmo é esse interminável déjà vu. De repente, você olha para trás, nesse mesmo dia, há um ano, e se vê fazendo as mesmas promessas, com as mesmas expectativas, fazendo os mesmos planos... e sua ficha cai. E o som da ficha caindo te desperta para a realidade. Realidade que não é exatamente aquilo que você esperava estar vivendo. O fim de um ano não determina uma mudança real de vida, a não ser que suas atitudes mudem. Não há nada de errado em fazer planos, em fazer a mesma promessa de sempre. O problema está em não mudarmos a direção e caminharmos rumo à realização de cada projeto. Um ANO NOVO começa de dentro para fora, não está limitado a uma data qualquer no calendário. Cada um tem seu próprio tempo, por isso algumas pessoas parecem as mesmas ano após ano, até que "BUMM!", elas mudam. Você até pensa que foi de uma hora para outra, mas só a própria pessoa sabe o processo pelo qual passou até à real mudança.
     Ainda estou em processo de transformação, por isso estou no começo do fim. Meu processo é demorado e doloroso, mas "isso também vai passar", já dizia uma grande amiga. Sábias palavras... Quando vai passar? Eu não sei... Mas sei que VAI PASSAR.
     E, para não fugir à regra, a você eu desejo um Feliz Ano Novo hoje, amanhã ou seja lá quando chegar para você! Mas que seja FELIZ, PRÓSPERO e realmente NOVO!


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A menina da janela (Parte 2)

     Em pouco tempo, Perfeito e Inocência estavam cada vez mais próximos. Eram cartinhas e bilhetinhos, papéis de doces e todo tipo de "quinquilharia" que, de certa forma, os faziam lembrar-se um do outro. E, sem que Inocência percebesse, uma flor diferente estava crescendo em seu coração. Era regada a cada sorriso, palavra cheia de ternura que Perfeito lhe dizia, a cada abraço...
     Inocência estava apaixonada.
     Não havia um dia sequer que Perfeito deixava de lhe encher a alma de alegria. Enfim, encontrara alguém que preenchia todas as lacunas de sua alma. E, em todo esse tempo dedicado a Perfeito e entregando-se a esse carinho, Inocência nem se lembrava mais de nada, muito menos do estranho fato de alguém permanecer por tanto tempo em Vida.
     Perfeito era mesmo diferente... Conseguia reunir em si tantos predicados... Inocência, carinhosamente, o chamava de "amor"; outras vezes, "meu", ou "sonho", "príncipe" ou, simplesmente "perfeito". Quando ela o abraçava, costumava fazê-lo com muita força, força esta que até assustava Perfeito! Mas ela explicava: sua vontade era abraçá-lo de forma que seus corpos se fundissem, tornando um só corpo. Ele sorria e lhe beijava ternamente.
     Inocência não conseguia mais resistir: precisava entregar-se de corpo e alma a esse amor. E assim, numa tarde linda, após contemplarem a aurora, assim o fez.
     Agora eram um só.
     Por mais que tentasse descrever o que sentia, Inocência não conseguiria... Era só alegria e amor explodindo em seu peito. Agora estava certa de que havia encontrado o "amor da sua vida". Perfeito... O seu Amor Perfeito.
     As pessoas da cidade começavam a encher inocência de perguntas. Ela estava diferente, não tinha a mesma "carinha de menina", era uma mulher cheia de vida, exuberante, estava feliz. Passaram a notá-la por onde andasse. Mas isso não a incomodava. certa vez, em um livro de romance, Inocência leu que se deveria preservar o amor devido às pessoas invejosas e ávidas pela infelicidade alheia. Então, cada vez que lhe perguntavam a razão para tamanha alegria, ela simplesmente respondia: "Meus dias são perfeitos! Esse dia está perfeito! A vida é perfeita!". Ela temia que alguém soubesse a razão da sua alegria e tentasse destruí-la.
     Mas não foi preciso... A própria Vida encarregou-se disso.
     Havia aquela estrada...