Mais uma noite aqui, neste hospital... As horas não passam, o corpo, exausto, não consegue relaxar. Os sons do hospital assustam... De repente, ouvimos gritos pelo corredor. Uma filha chora a perda da sua mãe. Fui consolar a moça, sem saber exatamente o que falar... Na dúvida, um abraço sempre é o melhor discurso.
Não fomos preparados para isso. A separação é dolorosa, a saudade corrói, o vazio é incomensurável. Só conhece essa dor aquele que já teve que enfrentá-lá.
Mas tenho aprendido e repetido isso constantemente: a nossa tristeza não pode ser comparada à alegria daquele que vai para a eternidade. Nós, que somos salvos e conhecemos ao Deus Eterno, temos esta certeza. É "voltar pra casa", é gozar de uma vida plena, feliz, sem o sofrimento que encaramos aqui. Para Deus, pouco importa a forma como ele chama os seus: se é de repente, dormindo, num acidente, após dias num leito de hospital... Nós é que classificamos a morte numa escala de sofrimento. Mas Deus só quer mesmo receber este amado em seus braços.
E, dessa forma, nos braços do Pai Eterno, que estão tantas pessoas queridas e especiais. Nenhum desses trocaria a alegria de estar no céu com a oportunidade de voltar e realizar os sonhos não concluídos.
Jesus está voltando a todo instante. Volta para o vizinho, para o amigo da faculdade, para um ente querido... com estes, não temos mais com que nos preocupar. Precisamos, sim, escolher agora para onde queremos ir depois de partir.
Eu já escolhi. "Vó, pode me esperar aí... daqui a pouco estaremos juntas"...
quarta-feira, 4 de junho de 2014
Sobre idas e vindas
terça-feira, 25 de março de 2014
Depois do furacão
E num belo dia, ele se levanta e diz: "Estou curado"!
Apronta-se, veste sua roupa de autoconfiança e vai encarar o mundo que ficou esquecido durante o fenômeno "La Depresión". "Foram tempos difíceis", relembra... Ficou meses trancado em sua casa, na cidade Soledad, o lugar mais devastado pelo furação. Foram dias, meses... anos?... A noção do tempo se perdeu juntamente com suas memórias... Pelo menos, era assim que pensava.
Depois de, finalmente, encontrar algo adequado para usar, ele encontra-se à porta de sua casa, pronto para encarar o mundo que o espera. Hesitante, pensa se vale a pena realmente sair... Afinal, passara tanto tempo ali sozinho, sem ninguém... Estava até "confortável" viver aquela rotina... Sacudiu a cabeça, como quem quisesse espantar um inseto voador, e abriu a porta de uma vez. Seus olhos não superaram a claridade, já estavam acostumados à escassez de luz. Precisou usar óculos escuros para se adequar lentamente. O cenário que encontrou era espantosamente diferente do que imaginava. Curiosamente, "La Depresión" só havia atingido sua casa! Obviamente, alguns lugares mostravam sinais de mudança, de desarrumação natural, mas nada comparado ao que imaginava. Incrivelmente, a vida continuou enquanto ele permaneceu trancado em sua casa.
E, enquanto caminhava por aquele mundo novo que encontrara, tentava organizar mentalmente uma nova rotina, um novo modo de encarar a realidade. Caminhava, pensava... caminhava mais um pouco, sem rumo, sem destino, até que se deparou com um cenário bastante conhecido. Era uma praça que costumava frequentar e passar algumas tardes para admirar o pôr do sol. Sua mente foi inundada por ondas e mais ondas de lembranças, palavras, sorrisos, carinhos... e havia aquela árvore. Sim, ela ainda estava lá! As iniciais gravadas permaneciam ali! Instintivamente, como quem toca uma ferida, levou a mão à inscrição no tronco daquela nogueira... E o que eram ondas de lembranças transformaram -se em lágrimas e tsunamis de emoções.
Ele correu. Virou as costas a tudo que aquele lugar representava e correu o mais rápido que pôde. Tudo que queria era voltar para sua casa, para seu mundo, para dentro de si e esperar... Não sabia exatamente pelo quê esperar, mas sabia que o tempo traria a cura de que precisava. Por quanto tempo? Também não sabia dizer... A única coisa de que tinha certeza agora era da dor que dilacerava seu peito e que não havia remédio para aliviar essa dor.
Finalmente em sua casa, volta à velha sala e ao seu sofá já desgastado pelo uso excessivo. Mais algumas estações até estar novamente curado... Ou não.
Agora, cabe ao tempo, sábio tempo, fazer o seu trabalho...
terça-feira, 4 de março de 2014
Na gaveta
Mas não sou desse tipo... Meu 2014 começou "bombando" logo de cara. Mal tive tempo para respirar! Fiz dezenas de planos, todos muito bem traçados, cronometrados, de forma que não ficariam acumulados, correndo o risco de abandonar um em detrimento do outro. Não contava com um "mas"...