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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Post mortem

Antes de qualquer coisa, gostaria de esclarecer que:

  1. não vou cometer suicídio

  2. não pretendo abrir agência funerária

  3. não estou sob efeito de droga alguma


          Bom, agora posso começar. Estava assistindo a um programa de TV onde se fazia homenagens a um artista que faleceu. Várias pessoas falavam sobre sua carreira, sua vida pessoal, relembravam fatos da sua vida como marido, amigo, colega de serviço... Enfim, tudo aquilo que nós costumamos ver em velórios. Daí, dando asas à imaginação, fiquei pensando... como seria meu velório? Se nos fosse permitido assistir a cerimônia, o quê e quem gostaríamos de ver, de ouvir? Quem estaria lá ou quem não estaria?

          Nessa "viagem", comecei a planejar minha cerimônia fúnebre. Primeiro, nada de tristeza. Quero um culto alegre. Chamem meus amigos de colégio, de trabalho... Bastante gente, dá uma moralzinha para essa pobre mocinha, né? Uma música que não poderia faltar é "Grande é o Senhor" (Adhemar de Campos), minha favorita. Fora isso, meus primos teriam que cantar uma música, também. Poderia ser "Brilhante", "Meu querer"... Rogéria, minha amiga, poderia fazer um vídeo com nossas fotos e com fotos de outros amigos, a música seria "O poder de uma aliança" (Ludmila Ferber). Quem sabe ela até cantasse... Não quero que meus sobrinhos estejam lá. Quero que se lembrem da titia doida que pintava o sete com eles, não aquela coisa parada, gelada, diferente de quem eles conheceram. Mas meus irmãos têm que contar coisas engraçadas que eu fiz, fatos da infância, "micos" que paguei, as coisas que aprontei...Isso não pode faltar! Certamente, se eu estivesse assistindo, estaria me divertindo muito! Sei que parece estranho rir em um velório, mas lamentar não vai mudar a situação. Estarei num lugar maravilhoso esperando o grande dia onde estaremos todos juntos... É uma questão de tempo.

          Outra coisa importante é sobre a minha aparência. Primeiro: minha franja tem que estar bem arrumada. Pelo menos a franja tem que estar escovada e meu rosto com uma maquiagem sóbria, mas bonita. Não quero flores me cobrindo até a cabeça, POR FAVOR! Dá aflição só em pensar! Quanto à roupa, nada em especial. Só uma coisa: sapato fechado.  Pensando bem, podem me colocar uma camisete com gravata. Gostei desse look, ficou maneiro, "sussa"!

          E, para finalizar, os hinos alegres e tudo mais, já no cemitério, cantem "Vou estar lá" (Voices). Acabou. Todos vão para suas casas, mas só peço que cuidem da minha mãe. Rogéria, principalmente. Não desprezando os demais, mas seria muito importante para mamãe o apoio e companhia dela.  Quanto às minhas coisas, que não são nada, podem fazer o que quiserem. Mas só autorizo mamãe e Rogéria a mexerem nas minhas coisas. Só elas vão entender minhas bagunças (rsrsrsrsrs).

          Depois dessa leitura tão "divertida", a gente pára e pensa na fragilidade da vida. Morte é igual gripe: uma hora ela pega alguém. A diferença é que para a gripe há cura, ela pode te "pegar" várias vezes. A morte é inevitável e é a coisa mais justa que há: não importa se é pobre ou rico, branco ou negro, criança ou velho... Basta estar vivo. A Bíblia diz que 'Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos (Salmos 116:15)". O sentido do termo "preciosa" é "que custa muito". De fato, para Deus custa muito a morte de alguém do seu povo. Nem mesmo Deus está alheio ao nosso sofrimento, Ele entregou seu Filho e sabe a dor da perda. Mas nunca podemos esquecer que temos um Consolador que estará conosco em todo tempo. A morte é uma realidade inevitável. Devemos sempre estar preparados para ela. Uma vez, minha diretora e amiga precisou dar a notícia a uma aluna de que seu melhor amigo havia morrido. Em sua sabedoria, ela disse que Jesus estava preparando casinhas para todas as pessoas da terra lá no céu. E à medida em que a casa ficava pronta, ele chamava o dono da casa para habitá-la. Minha casinha está sendo preparada. Só não sei quando receberei as chaves e a escritura. Mas Deus sabe.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Plantando rosas

O que você pensa quando sonha com flores? Já parou para pensar nisso? Pode significar muitas coisas, e cada planta tem um significado diferente e específico. Você ficaria espantado se parar para pesquisar! É cada coisa! Sabia que repolho (!!!) significa ciúmes à vista? Daí pode-se imaginar outras esquisitices...

Bom, mas não é sobre isso que quero falar. Outro dia, sonhei que estava plantando uma roseira no jardim de alguém. Fiquei pensando...sonhar com rosas, ainda mais vermelhas, é sinal de amor intenso, de paixão. Mas eu plantei no terreno de outra pessoa, numa casa e num jardim que não eram meus... Esse amor não é pra mim. Essas rosas vão brotar e crescer, ficarão vistosas, mas eu só poderei olhar, de longe. Triste, não? Não... o pior foi ver, no sonho, essa pessoa colhendo as rosas que eu plantei e dando para outra pessoa. Aí, sim!  A cena fictícia doeu tanto que acordei chorando. Tentei convencer minha mente e meu coração de tudo não passou de um sonho.

Eu tenho esses problemas com sonhos. Volta e meia, tenho um sonho esquisito. Sonhos que mais parecem filmes: têm enredo, ação, começo, meio e fim. Às vezes, ou quase sempre, eles se repetem ou continuam na noite seguinte, exatamente de onde pararam. Alguns são muito marcantes, reveladores e instigantes. Posso não discernir o significado deles imediatamente, mas uma hora, em alguma situação, escuto um "click" na minha mente, e a lembrança do sonho volta. Então, tudo faz sentido.

O sonho da roseira faz muito sentido para mim agora. Estou de longe vendo as lindas rosas que plantei nas mãos que não foram as mesmas que as plantaram.